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Nossa Senhora de Achiropita
Madonna Achiropita - A padroeira do Bixiga

N. S. de Achiropita
A Igreja de N. S. de Achiropita
A Restauração
Otávio Pugliesi
A Festa de N. S. de Achiropita
N. S. da Ripalta
Oração a Nossa Senhora Achiropita

N. S. de Achiropita

No ano de 580dc, o Capitão do Império Romano Bizantino Maurício (539-602) alegando que fora desviado de sua rota pelos fortes ventos sofridos durante a viagem, aporta numa pequena aldeia da Calábria (Lucânia) e é recebido pelo Monge eremita santo Éfren que vivia numa pequena gruta, devotíssimo da Virgem Maria. O Monge, no entanto, discorda das razões alegadas por Maurício afirmando que Nossa Senhora é que o levou a aportar por estas terras, incumbindo-o de construir um templo assim que se tornasse imperador.
Dois anos depois Maurício de Constantinopla se torna Imperador. Recordando a predição do Monge, ordena a construção de um santuário. O governador Filípico, cunhado do imperador, visando agradar o monarca, trouxe competentes artistas de Bizâncio a fim de pintarem uma imagem da Virgem Maria (Madonna e Banbino) no fundo do templo. Mas durante a construção, sempre que a imagem da N. S. era pintada durante o dia, sumia durante a noite! O governador, insatisfeito com o ocorrido, ordenou que a gruta fosse vigiada. Até que um dia surgiu do nada uma jovem senhora, de rara beleza, trajando uma túnica de seda pura, muito alva, resplandecente de luz, e solicitou ao vigia que permitisse sua entrada para que visitasse o santuário. Após um longo tempo, o vigia percebendo que a estranha senhora não retornava do interior do santuário, entrou para verificar a razão de sua demora e, para sua surpresa, encontrou a pintura de N. S. acabada e o santuário vazio. Nossa Senhora havia pintado a sua própria imagem! Logo a notícia se espalhou e os moradores da região começaram a chegar ao lugar do milagre e aclamavam entre lágrimas e cânticos de louvor: "Achiropita! Achiropita". Achiropita, palavra grega italianizada que significa "imagem não pintada pelas mãos do homem". O imperador Maurício de Constantinopla ordenou a construção de uma basílica dedicada à Virgem Achiropita. No entanto, tudo leva a crer que a atual imagem venerada não seja a primitiva. Os pesquisadores crêem que a pintura de hoje possa ser uma restauração, caso a primeira tenha realmente existido. Imigrantes calabreses trouxeram para São Paulo uma cópia fiel daquela que se encontra na basílica de Rossano. Os religiosos da Congregação de Dom Orione, com a ajuda de muitos membros da colônia italiana em São Paulo, construíram uma igreja onde pode-se contemplar uma escultura da Virgem Achiropita que foi criada a partir da cópia fiel do quadro original.

Capela em 1917

 

A Igreja de N. S. de Achiropita
Rua Treze de Maio, 478 - 3283 1294

Existem duas Igrejas de N. S. de Achiropita: uma catedral na Itália e a do Bixiga, construída em 1925. Cabem na igreja de 350 a 400 pessoas (51 bancos de 4 lugares, mais as cadeiras). Aqui no Brasil, tudo começou quando um dos imigrantes vindos de Rossano na Calábria, José Falcone, devoto de N. S. Achiropita, trouxe a imagem da santa para cá. Sua casa situada na rua Treze de Maio 100 (antiga rua Celeste), era frequentemente visitada por devotos que se reuniam para fazer novenas e orar para a santa. Foi nessa época, cerca de 1910, que se iniciou a festa no dia da padroeira. Era construído um altar na rua Treze de Maio com a rua Manoel Dutra, ainda sem calçamento, e nos dias 13, 14 e 15 de agosto eram rezadas missas. Depois a imagem voltava para a casa de José Falcone.
Logo uma comissão seria formada e o terreno comprado (local onde hoje está a Igreja) para a construção de um altar para abrigar a santa, ficando José Falcone como seu zelador. O local era tão pequeno que para a senhoras rezarem a novena era necessário que elas levassem pequenos banquinhos de 2 pés. O dinheiro foi angariado durante as procissões, onde os devotos pregavam as cédulas com alfinetes na fita colocada nas mãos da santa. Outra forma de obter recursos foi nas festas de agosto, organizadas por Pepantino (Antonio Pórrio), serviram para a compra do terreno ao lado e assim aumentar a capela. Falcone se torna sacristão. Faltava à construção grande parte do telhado, somente a nave central estava coberta. Não havia vidros na maioria das janelas. Durante alguns anos, a comissão encarregada das obras, dividida, não deu continuidade aos trabalhos. Graças à doação de 500 réis feita por uma senhora do bairro e um laudo precatório que rendeu mais 500 réis, reiniciaram-se as obras e o telhado foi concluído. São José do Bexiga foi o nome escolhido para a capela que não possuía padre e era subordinada à Paróquia Espírito Santo da Bela Vista na Rua Frei Caneca criada em 1908 sob a tutela do padre Kraus.
Em 1925 recebe autorização oficial de funcionamento. Logo vários "capo mastri" arregaçam suas mangas e a igreja toma forma. Em 1926 obtém o direito de ter sacrário, batistério, pia batismal, livro do tombo e livro de registros de batizados, casamentos e óbitos. A paróquia de São José do Bexiga, recém criada pelo arcebispo de São Paulo D. Leopoldo Duarte e Silva, recebe seu primeiro pároco: Padre Carlos Alferano. O nome da paróquia foi sugestão do Padre Alferano pois colocando o nome de S. José, não criava animosidades entre os devotos de N. S. Achiropita (calabreses) e os devotos de N. S. da Ripalta (puglieses). Entre os construtores, destacam-se Humberto Badollato, Luiz Tenaglia, auxiliados por José Falcone, Caetano Giardino, Francisco Pinto e pelo marceneiro Paschoal Romanelli. Em maio de 1925 a igreja recebe a estátua de Santo Antonio içada por uma carretilha para o alto da igreja, assim como a cruz. O altar-mor foi doado pelos rossaneses Paschoal Romanelli, Luiz Tenaglia, Caetano Giardino e José Canciaruso. Nas colunas de sustentação encontram-se plaquinhas com os nomes dos doadores. A colônia de Auletto, devota de São Donato doa uma imagem de seu santo e Therezinha Badollato doa uma imagem de Santa Terezinha. Em 1929 D. Maria Pidone e D. Maria Nazaro oferecem o sino maior. Em 1935 Celestino Massaro e D. Angelina Fraiola Massaro doaram a imagem de São Paulo. Em 1936 a imagem de São Pedro é doada por Elias Napoli e D. Anna de Martino Napoli. Estas duas últimas são obra de Giacomo Scapoli. Em 1949 muda se nome para Paróquia de N. S. de Achiropita a pedido do padre Carmelo Putorti.

A Restauração

O tempo foi passando e a necessidade de uma restauração da nave foi ficando iminente. Um vazamento no telhado acarretou danos sérios à pintura da cúpula e o telhado irregular com suas calhas de difícil manutenção já não continham as águas da chuva. A restauração da igreja começou em 2001 com a empresa de Júlio Moraes.
Trabalho muito especializado que consistia em recuperar o telhado e restaurar as pinturas afetadas pela umidade. Foi também realizada uma nova iluminação na igreja, no teto, altar central e laterais.
As pinturas são de 1956, feitas pelo pintor e escultor italiano Gentilli, como as Bodas de Canaã. Gentille na época, pintou também painéis nas igrejas de Santa Terezinha e Imaculada, em São Roque.
Em 1994 o piso da igreja já havia sido trocado e assentado por um pedreiro muito talentoso, que tinha apenas um braço e fez um serviço primoroso, foi até homenageado pelo capricho no final da obra.
A restauração que mobilizou especialistas de várias áreas, terminou em setembro de 2003 e entregou aos devotos os 8 altares laterais, corredores, presbítero, nave central e todos os detalhes como o barrado das colunas em perfeito estado, empregando vários especialistas.

Otávio Pugliesi

Responsável pelo acompanhamento das obras, Otávio Pugliesi, nascido no Bixiga em 01 de julho de 1925, fez sua primeira comunhão na Achiropita em 1935. Seus pais, José Pugliesi e Angela Magalda Pugliesi, casados na década de 1910, eram ambos brasileiros. O pai José era amolador de instrumentos cortantes e depois ambulante. Seus avós eram italianos, da Calábria. Os pais e seu Otávio moraram primeiro na Rua São Domingos (em 1934) e depois na Conselheiro Carrão (1935). Otávio gostava de futebol, jogou no Fluminense e depois no Luzitânia (cujo campo ficava na Rua Rocha).

A Festa de N. S. de Achiropita

O dia de N. S. Achiropita é dia 15 de Agosto mas os festejos se estendem por todo o mês. Na parte de fora da Igreja são colocadas berracas que oferecem comida típica (linguiça calabresa, provolone, macarronada, fogazza, polenta, fricazza e vários doces regionais) enquanto no interior da Igreja e feita a visitação à Santa, Novena, orações e preparação da procissão. As cantinas da região, bem como a montada no salão paroquial, recebem os visitantes com muita música e comidas típicas.
Nos seus primórdios a partir de 1906(?), a festa contava com banda de música, foquetório, missa e procissão. Posteriormente, a quermesse da Achiropita, como era conhecida e que ocupava a rua Treze de Maio da rua Manoel Dutra até a rua Conselheiro Carrão, contava de apenas algumas barracas de jogos e alimentação, além da missa e procissão. O pau de sebo era uma das grandes atrações: no topo eram colocados provolones, salames e até notas de 5000 réis. A banda Berzagliere animava a festa com música típica, seus cerca de 30 integrantes eram hospedados na casa dos devotos que custeavam sua vinda da Itália. As prendas eram angariadas por uma comissão que percorria o bairro com a banda e o estandarte da santa, recebendo como donativos bebidas, cabritos, leitões e depois leiloados nas barracas. Em 1957, houve uma grande procissão com Nossa Senhora sendo levada em um carro do Corpo de Bombeiros. Acompanharam a procissão as bandas da Força Pública e dos Bombeiros. Depois do auge dos anos 40 e 50, a festa retraiu-se e, da rua, foi parar no pátio atrás da igreja.
Apesar de durante 18 aos a festa tenha se reduzido, durante a guerra ela continuou a acontecer; em parte devido a participação de todos os moradores do bairro. Além dos italianos, os portugueses e negros ajudavam e participavam da festa e procissão, unidos pela fé. Foram os mais importantes festeiros nessa época antiga Antonio Pórrio (conhecido pelo nome de sua cantina Pepandino), Angelo Sanzoni, Carmino Rago, Tenaglia, Eugenio "Lavanaro", Vicente "Diabo", José Scaramuzza e Francisco Puglisi.
Em 1980, ano de comemoração dos 50 anos da festa, a escola de samba do Vai Vai homenageou a festa com samba enredo e carros alegóricos mostrando a quermesse e a igreja.
Era costume antigo as famílias colocarem suas melhores colchas nas janelas durante a procissão; Armandinho Pugliese tentou em 1982 retomar este velho costume anos antes de morrer, juntamente com Walter Taverna, colega com quem formava a comissão da União do Bixiga.
Hoje, uma grande festa que mobiliza milhares de pessoas com o fechamento de ruas, alteração do fluxo de transito e cobertura nacional da imprensa.

Madonna della Ripalta

Os italianos oriundos de Rossano Cálabro, os rossanenses, mantinham uma profunda rivalidade com os cherinnholanos, vindos de Cerignolla na Púglia: a devoção por Nossa Senhora, ou melhor, por Madonna como diziam. Os antigos alegam que a rivalidade era tão arraigada que filhos e devotos da N. S. de Achiropita não podiam casar com filhos de devotos de N. S. da Ripalta. Os calabreses eram devotos a N. S. da Achiropita e os cherinnholanos devotos a N. S. da Ripalta.
Na Puglia, à beira do rio Ofanto, próximo de Cerignolla, Foggia, foi erigido um templo pagão à Boa Deusa em cerca de 300 a.c. No século V d.c. os monges basilianos trocaram a Boa Deusa por Jesus Cristo e solicitaram à matriz uma imagem de N. S. e receberam a Virgem com o menino (N. S. do Perpétuo Socorro). No século VIII, os monges esconderam a imagem numa gruta que ficava numa ribanceira alta do rio Ofanto (Ripa alta), temendo sua destruição pelo iconoclasta imperador Leão III. Ficou lá Esquecida até 1712 quando um bando de marginais foram se esconder na gruta. Com frio e precisando de madeira para esquentar comida, acharam a madeira empoeirada que escondia a imagem da santa. Na primeiro golpe de machado a madeira verteu sangue! Ao perceberem a imagem por trás da sujeira fugiram assustados temendo um castigo divino pelo sacrilégio. A notícia da Madonna sangrando rapidamente chegou à Cerignolla e todos queriam comprovar o milagre. Após ser lavada e transportada para a igreja, a imagem ficou conhecida como Madonna della Ripalta. Hoje esta medieval pintura Greco-bizantina encontra-se na Catedral do Carmo. Anualmente, em 8 de setembro, uma procissão percorre alguns quilômetros com a imagem até a gruta onde foi achada e e hoje foi construído um santuário. A imagem permanece no santuário até março, ocasião que acontece outra procissão para retirá-la de volta ao Carmo.
Hoje uma imagem da Madonna della Ripalta se encontra no primeiro altar à direita do altar-mor onde fica a imagem de N. S. da Achiropita.

Oração a Nossa Senhora Achiropita

Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe Achiropita, volvei o vosso olhar piedoso para nós e para as nossas famílias. Através dos séculos, pelos milagres e pelas aparições, mostrastes ser Medianeira perene de graças. Tende compaixão das dificuldades em que nos encontramos e das tristezas que amarguram a nossa vida. Vós, coroada Rainha, à direita do Vosso Filho, cheia de glória imortal, podeis auxiliar-nos. Tudo o que está em nós e em volta de nós, receba as vossas bênçãos maternais. Ó Rainha Achiropita, prometemos dedicar-vos toda a nossa vida para a honra do vosso culto e a serviço de nossos irmãos. Solicitamos de vossa maternal bondade os auxílios em nossas necessidades e a graça de viver sob a vossa constante proteção, consolados em nossas aflições e livres das presentes angústias. Com confiança podemos repetir que, não recorre a vós inutilmente aquele que Vos invoca sob o título de "Achiropita". Amém.

 

Maiores informações: http://www.achiropita.org.br/


CRISTINA OKA & AFONSO ROPERTO©
Última atualização: Monday, 5 December, 2005

 

Imagens de N. S. Achiropita

 

Capela